Objetos obsoletos do dia-a-dia

Copo de coca-cola do McDonalds

No artigo (ao menos creio que seja um, uma vez que cheguei a ele por um link externo e na página não há nenhuma indicação do que seja, de qual seção do site ele pertence, nem nada disso) do portal expresso, Antonio Prata relata muito bem a agonia que as pessoas passam com certos produtos do nosso dia-a-dia.

São coisas que deveriam ser observadas, questionadas e propostas soluções. Mas, parece que os projetistas se limitam a conceber o de sempre. Custa pensar numa maneira mais prática de fechar o copo de coca entregue em um drive-thru? Veja como é simples:

Observe: O problema não é o copo virar (isto já foi resolvido com as belas caixinhas de papelão alá McDonalds). O problema é que o balançar do carro faz com que o líquido acabe saindo pelas bordas da tampa.

Questione: Porque a tampa é solta do resto do copo?

Proponha: E se o copo já viesse fechado, e a máquina despejasse o conteúdo pelo buraquinho do canudo? E a tampa poderia ser mais alta para evitar que o líquido saia pelo mesmo lugar que entrou.

Simples, não? Daí é só testar e ver se resolveu o problema. Se não resolver, ajuste o que ficou errado e vá iterando até ter um produto que satisfaça a sua finalidade: armazenar a bebida para que seja transportada.

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9 Responses to “Objetos obsoletos do dia-a-dia”

  1. kenji says:

    não acho simples não…

    não adianta nada bolar a solução técnica sem levar em conta todos os outros fatores logísticos, de fornecimento, de custos, e etc.

    pq o difícil da usabilidade não é bolar a solução. É fazê-la comercialmente viável.

  2. admin says:

    Obviamente, essa é uma solução “espontânea”. Só para indicar que há alternativas. Se o starbucks e outras cafeterias como a California Coffee usam copos mais práticos, porque o McDonalds não poderia? Não que a minha solução seja a ideal. Por isso precisa dos testes. Não só com usuários, mas com o sistema como um todo. Transporte dos copos até a loja, uso para enchê-lo de refrigerante, transporte pelo cliente etc. O que não dá é pra continuar usando copos em drive thru, que derramem o conteúdo no carro. É ponto negativo com o cliente.

  3. Nenhum designer seja ele centrado no usuário ou não não deveria ser responsável por criar a solução sozinho. É um trabalho de equipe. E toda solução precisa ser pensada levando em consideração vários fatores, sejam comerciais ou humanos. Claro que todos esses fatores (logisticos, fornecimento, custos) devem ser levados em conta e por isso mesmo deve contar com colaboração de especialistas.

    Mas o que acontece normalmente no mundo dos produtos de massa do dia a dia é seguir o caminho mais rápido, ou seja o das soluções prontas. E entender o comportamento do usuário e suas necessidades e limitações não é o mais fácil não, tanto que é o ponto ignorado na grande maioria dos projetos. O que vemos na prática é justamente o contrário as limitações técnicas ditarem as soluções (o que também não está errado mas também não é o ideal). Mas acredito que deve ocorrer também a força contrária também no sentido oposto. A corda tem que ser puxada dos dois lados – necessidade das pessoas x objetivos comerciais.

    Sempre existem outras soluções. O que não pode é “deixar como está”. Questionar é talvez o mais importante dos passos. Antes dele vem somente o “Observar”. Abrir os olhos .

    “Para ter uma boa idéia, tenha várias”. já dizia o fulano… hehe…

    Fácil? Não nenhum pouco…

  4. Humberto Massa says:

    A sua idéia seria interessante se os seus copos-tampados não ocupassem quase quarenta vezes o espaço físico que os copos+tampa ocupam hoje. Uma kombi que distribui 40.000 copos teria que ser trocada por um caminhão… Uma possibilidade seria se os copos fossem dobrados como um origami (imagine um balão de são joão), com alguns vincos para que uma vez “desdobrado”, o copo não entrasse em colapso facilmente (parecido com o que ocorre com a base de papelão do copo) mas, de qualquer maneira, de volta à prancheta… não adianta o design ser centrado na usabilidade do usuário se o usuário não consegue pagar o preço …

  5. admin says:

    Humberto, realmente não havia pensado nesse detalhe da logística no início. Mas, como já disse ao Kenji, era apenas uma idéia inicial. Gostei que tenha dado discussão, pois mostra que as coisas têm mais de um lado. No design centrado no usuário, é importante testar, não somente com os usuários, mas com a equipe de desenvolvimento (viabilidade). Um dos papéis do designer é pensar soluções alternativas. Normalmente, a primeira solução que vem à cabeça, como essa do post, não é a melhor e, às vezes, resolve um problema e cria outro. Pensando mais no assunto, vejo que os copos que citei como exemplo no comentário ao post do kenji, as tampas são soltas. As maiores diferenças são a altura da tampa, para evitar que o líquido, ao balançar, saia pelo buraco do canudo e o encaixe da tampa ao corpo, que é muito mais “vedado” do que nos copos comuns da maioria das redes de fast-food. A idéia do post não é dar uma solução para o problema, mas incitar pessoas a pensarem um pouco diferente do que temos hoje.

  6. Filipe Levi says:

    Uma vez eu estava argumentando com um amigo usando a mesma fala da Karine. Eu mostrando que determinado modelo de negócio que estávamos desenhando não seria o “ideal” para o usuário e ele argumentando que a oportunidade de negócio era aquele e não haveria outra, que precisávamos ceder em algumas coisas.

    Quando eu disse que precisava haver alguém que puxasse a sardinha pro lado do usuário a fim de balancear a equação (como que havendo outras “forças” opostas) ele me ensinou algo que nunca vou esquecer. Ele disse:

    - Você não pode ser um user adovate talibã porque isso sim polariza a equipe. Você tem que estar é aqui no meio (http://www.stanford.edu/group/dschool/big_picture/multidisciplinary_approach_detail.html) onde a inovação acontece. Se você não estiver aqui você vai estar é algum ponto bem fora desses círculos.

    Isso mudou muita coisa no meu modo de entender uma equipe de projeto, por exemplo :) Todo mundo (não importa a área) tem que estar na interseção.

    Meus cents! :D

  7. admin says:

    Exatamente! O post “talibã” é mais para puxar o pensamento das pessoas que estão fora do centro, um pouco mais para o centro. Mas, realmente, não foi uma boa tática… :) E como todo processo iterativo, o aprendizado vale para os próximos posts. A propósito, adorei o gráfico!

  8. Humberto Massa says:

    Continuando o meu raciocínio, Leandro, o que ocorre, na verdade, em relação às redes de fast-food aqui no brasil é que, apesar de terem muito know-how empresarial em utilizar copos que não vazam[*], não há incentivo financeiro para isso. Fast-food aqui no brasil é um oligopólio, tanto que o nosso fast-food “de grife” é uma comida cara pra caramba comparada com outras opções “genéricas”[**].

    [*] Lá nos EEUU, por exemplo, o McD vende café e, como no Starbucks, o café vem num copinho de tampa alta e bem “apertadinha”, que não vaza de jeito nenhum — da última vez que alguém se queimou com o café do McD, uns milhões de $$$ rolaram de indenização. Mas o refri vem com a mesma tampinha usada aqui, e não sobrevive a um passeio a pé de três quarteirões sem derramar uns 5% da embalagem dentro da “sacolinha de levar refri” (essa última, uma idéia interessante mas também mal executada).

    [**] uma promoção grande do BigMac aqui custa duas vezes o preço de uma refeição decente num restaurante “popular” (não, não estou contando aquele de 1 real perto da rodoviária, mas um PF razoável aqui na região do Santo Agostinho custa 6 reais). Nos EEUU, custa menos de metade.

  9. admin says:

    Isso mesmo… o post rendeu e acho que deu pra passar a idéia. Quem sabe numa evolução dos fast-foods, comecemos a dar atenção aos usuários, além do negócio. Até porque, um cliente satisfeito tende a voltar e comprar denovo. Pode começar com os usuários cobrando isso ou, talvez, com a entrada de uma nova rede com foco diferente. Fico na esperança, apesar de não frequentar muito fast-foods…

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