Não se prenda ao padrão

Tela de exemplo do Kindle no iPhone (versão 2)

Lendo um review do Nielsen sobre o Kindle 2 , achei algo bem interessante – não tinha muito a ver com o Kindle, mas com o iPhone.

Acredito que por ser “muito novo”, os aplicativos desenvolvidos para o iPhone ainda seguem muito os padrões de interação dos aplicativos nativos. Em certo ponto, excelente. Tem-se consistência e o usuário pode levar o aprendizado de um aplicativo para outro. Só que os desenvolvedores (designers, programadores, arquitetos etc.) têm de se questionar quando é bom seguir o padrão e quando devemos buscar novos estilos de interação, ou pelo menos dar uma alternativa para o usuário.

Por exemplo, o aplicativo Kindle, para o iPhone (veja um video de review), utiliza o arraste dos dedos para passar de página. Assim como vários aplicativos do iPhone, o movimento fica até bem natural e cria um certo efeito “wow”. Só que, segundo o Nielsen – e acredito que deve ficar tedioso, mesmo sem ter utilizado – quando se está lendo um livro, num dispositivo com uma tela pequena, a tarefa “passar de página” é repetida inúmeras vezes, ficando cansativa e perdendo todo o charme do efeito “wow” e se tornando um repetido e tedioso movimento cansativo.

No caso do Kindle, o botão “próxima página” fica exatamente no local onde seu polegar fica repousado, bastando uma leve pressão para acioná-lo. Em questão de eficiência, é bem melhor do que arrastar seus dedos sobre a tela, de um lado ao outro. Só que o iPhone não tem botão físico (exceto um que leva para a tela inicial). Podemos optar por um botão, ou por tornar os cantos da tela em áreas de avanço e retrocesso de páginas. Talvez surja o acionamento acidental devido à tela ser touchscreen, mas para descobrir isto, só testando.

Bem, é apenas uma idéia. Além desta, certamente existem várias outras. O importante, aqui, é percebermos que a interação padrão de deslizar o dedo pela tela é cansativa e tediosa, além de reduzir bastante o tempo de leitura (segundo análise do review do Nielsen, na qual ele mesmo faz algumas ponderações devido ao estudo não ter sido tão “científico”). Se o objetivo principal do aplicativo é permitir a leitura de um livro e a principal tarefa realizada será o avanço de páginas, este ponto deveria ter mais atenção, ou seja, deveriam buscar propostas alternativas, fazer testes, levantar vantagens e desvantagens de cada proposta e estudar os cenários extremos, como uma pessoa lendo um livro durante horas a fio, antes de optar por uma solução, mesmo que seja um padrão.

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