Donald Norman, em o design do dia-a-dia, aliviou nosso sentimento de culpa ao levantar a bandeira de que o verdadeiro culpado por não conseguirmos executar tarefas com objetos cotidianos, é o designer que o projetou.
Alguns insistem em dizer: “mas tem gente que é burra mesmo.”. Ou, pior: “eu sou meio ruim com essas coisas…”. E foi esta última frase que ouvi no elevador do prédio onde trabalho, alguns dias atrás. A cena foi a mesma que se repete dia após dia, em vários prédios – acredito que no Brasil e no mundo: uma pessoa procura desesperadamente o botão para segurar a porta do elevador e acaba que a porta se fecha na cara de quem pediu para segurar. A pessoa fica constrangida e a outra pessoa fica do lado de fora. E isso tudo porquê? Simples, ninguém consegue achar o botão de segurar a porta, em tempo hábil. E qual o verdadeiro problema? Vários.
Vejam a foto, abaixo:

Foto: painel de elevador do edifício Alpha (BH/MG).
Numa rápida análise, podemos citar alguns problemas:
- Problema 1: O botão não é claro. FP a AP podem significar várias coisas. Tanto que, para tentar facilitar para os usuários, o condomínio incluiu sinjelas placas com a descrição do botão.
- Problema 2: Os botões apagam com o tempo. Sendo assim, mesmo que fossem claros para o usuário, só serviriam para os primeiros meses de uso.
- Problema 3: Os botões estão longe da porta, dificultando a sua visualização. Não sei exatamente o que quer dizer os botões do lado direito, mas, creio que tenham menos relação com a porta do que o FP e AP.
- Problema 4: Falta de acessibilidade. As sinjelas plaquinhas só podem ser lidas por pessoas que enxergam. Os cegos continuam lendo FP e AP… Isso sem falar que o elevador não avisa em qual andar está. Ou seja, o cego aperta 11, por exemplo e quando o elevador parar ele sai, procura alguém no corredor e se informa se acertou o andar… prático, não?
Elevadores têm vários outros problemas e, alguns, podem causar acidentes. Dois exemplos com este mesmo elevador: ele fecha na sua mão, caso tente segurar a porta com ela; e uma vez entramos nele, no 18º andar, sendo que ele estava em manutenção. Não me pergunte por que diabos ele abriu a porta para entrarmos.
Quando será que definirão leis claras para estes problemas dos elevadores? E por favor, que não seja uma lei como a que há no Rio de Janeiro, que obriga os condomínios a colocarem uma placa “verifique se o elevador está no andar, antes de entrar”. Detalhe: a placa fica no interior do elevador.
Tags: acessibilidade, cotidiano, design de produto, elevador, problemas de interação, usabilidade
Como eu comentei com você, escrevi um post sobre este mesmo assunto há algum tempo.
Pesquisando agora, descobri que temos a NBR 13994, de 2000, que regulamenta justamente isso. Não sei quanto à qualidade geral da norma, mas, de cara, já vi que define acessibilidade somente como acesso a recursos por pessoas portadoras de deficiência, um conceito que sabemos ser ultrapassado.
Oie,
entro na conversa para falar que a norma atual e em vigor no Brasil sobre elevadores é a NBR NM 313/2007, que traz vários quesitos de acessibilidade.
Essa é uma norma conjunta do mercosul, o que é bem interessante para uniformizar o mercado e trazer mais opções para quem projeta.
Ela é bem completa e padroniza várias questões, como das botoeiras, por exemplo.
abraços!
Excelente, Elisa! Não conheço as normas, mas irei pesquisar sobre ela. Espero que tenham sido criadas com base no uso real das pessoas, para facilitar a vida delas. De qualquer forma, nestes casos, uma padronização, mesmo que não seja a mais adequada, já ajuda pois o que se aprende em um, leva-se pro outro.
Abraços!
• 01 quadro de comando microprocessador com sistema VVVF completo.
• 05 indicadores de posição digital vermelho.
• 10 botões de chamadas pavimento e cabine com micro curso e autos iluminados.
• 05 botoeiras de pavimento em aço inox escovado
• 01 botoeira de cabine em aço inox escovado